Sim. Um cristão pode tornar-se satanista teísta. A pergunta mais difícil é o que essa mudança significaria realmente.
As tradições cristãs atribuem geralmente a Satanás um papel de adversário e dirigem o culto a Deus. O satanismo teísta não inverte nenhuma dessas posições de ânimo leve: considera Satanás espiritualmente real e digno de devoção. Passar de uma perspetiva para a outra altera uma crença central sobre a divindade, a autoridade, o culto e a identidade religiosa.
Conversão não é o mesmo que raiva
Uma pessoa pode estar zangada com uma igreja, desiludida com os cristãos ou ser crítica da teologia cristã sem se tornar satanista. Deixar o cristianismo também não aponta automaticamente para uma religião seguinte em particular.
Se o seu interesse pelo satanismo depender inteiramente da oposição a algo que deixou há pouco, dê tempo ao tempo. Um compromisso religioso duradouro deve ter um centro positivo próprio.
Não precisa de provar nada à pressa
A Igreja não ganha nada em levar alguém a converter-se antes de estar preparado. Leia. Faça perguntas incómodas. Compare fontes. Tome notas. Visite sem aderir. Se voltar a mudar de opinião, isso é informação, não um fracasso.
A Igreja não exige uma rutura dramática com a família, os amigos ou as comunidades anteriores como prova de sinceridade. Uma discordância saudável e limites pessoais bastam.
O que teria realmente de mudar?
No mínimo, ao falar de Satanás, um satanista teísta tem de lhe atribuir um sentido religioso. Para esta Igreja, Satanás não é apenas um símbolo de rebelião nem um recurso para criticar o cristianismo. A devoção dirige-se a um ser entendido como existente independentemente de quem o adora.
A prática pode então incluir oração, meditação, ritual, leitura, devoção privada e vida em comunidade. Nenhuma destas práticas precisa de ser teatral, dispendiosa ou pública.
E as ideias cristãs que ainda traz consigo?
Raramente se muda toda uma visão do mundo de um dia para o outro. Antigos cristãos podem continuar a sentir medo, culpa, apego a orações familiares, carinho por partes da cultura cristã ou incerteza quanto a ensinamentos anteriores. Fingir que essas reações desapareceram costuma torná-las mais difíceis de examinar.
Leve-as a sério sem tratar cada emoção como prova sobrenatural. A transição religiosa pode envolver, ao mesmo tempo, teologia, história familiar, hábitos, identidade e psicologia.
É possível voltar atrás?
Claro. A liberdade religiosa inclui a liberdade de nos deixar. Quem mais tarde regressa ao cristianismo, se torna ateu, adere a outra tradição ou simplesmente deixa de se identificar como satanista não deve à Igreja uma demonstração de lealdade.
Um critério melhor do que «já me converti?»
Pergunte-se no que realmente acredita quando ninguém está a ver. Pergunte-se se a devoção a Satanás tem significado para além da oposição à sua antiga religião. Pergunte-se se a prática o torna mais responsável pelas suas escolhas, em vez de menos.
Se a resposta não for clara, é legítimo permanecer na incerteza.